Oração do Perdão da Cristina Cairo

Sobre perdão, libertação e escolher a própria vida.
(oração está aqui)

Para começar, quero dizer como me sinto quando uma pessoa afirma: “Eu perdoei.” Para mim, essa frase pode soar arrogante quando coloca quem perdoa em uma posição de superioridade moral. Dependendo da forma como é usada, pode transmitir poder, falta de empatia, falsa humildade ou até mesmo um desejo de controlar a narrativa.

O perdão genuíno tende a ser, antes de tudo, um processo interno. Não precisa necessariamente ser anunciado nem usado para humilhar ou colocar o outro em uma posição inferior. Mais do que uma demonstração de superioridade, o perdão pode representar uma forma de libertação pessoal.

Foi a partir dessa reflexão que, reconhecendo a minha pequenez diante dos meus pais, foi por meio deles que a vida chegou até mim, comecei a olhar para a minha história com gratidão pela vida e, ao mesmo tempo, com a liberdade de escolher a vida que quero viver. Escolher a minha própria vida também significa fazer diferente deles. Significa não viver para agradá-los, mas assumir a responsabilidade pelas minhas próprias escolhas.

Nesse contexto, senti que havia chegado o momento de fazer a Oração do Perdão, de Cristina Cairo. Minha intenção era liberar as mágoas do meu coração, soltar o que ainda me prendia ao passado e permitir que a vida fluísse. Foram necessárias várias tentativas até conseguir completar 90 dias ininterruptos: um dia dedicado ao meu pai e outro à minha mãe. Durante o processo de oração diária, surgiram questões que talvez estivessem esperando o momento certo para ser ressignificadas.

Durante esses 90 dias, assisti ao filme sobre Michael no cinema. Algumas cenas de agressão praticadas pelo pai me marcaram profundamente. Durante uma semana, senti aquela dor dentro de mim. Aos poucos, fui soltando o que aquela experiência havia despertado e trabalhando essas questões na Terapia Cognitivo Comportamental (TCC).

Coincidentemente ou não, no dia em que completei os 90 dias de oração, tive a coragem de dizer “sim” para mim e “não” ao estilo de vida que meu pai escolheu viver durante toda a vida. Esse estilo de vida vai contra os meus valores e contra as escolhas que faço para a minha própria vida. A escolha é dele, e eu respeito. Ele, na posição de pai, sentiu que poderia me obrigar a participar de um momento do qual eu não queria fazer parte. Eu, na posição de filha adulta, aos 45 anos e responsável pela minha própria vida, disse não.

Durante muito tempo, tive grande dificuldade em conversar com meu pai. Sabe quando você quer falar, mas as palavras simplesmente não saem? Eu sentia como se o meu quinto chakra se desequilibrasse diante da dificuldade de expressar aquilo que vinha do meu coração.

Em relação à minha mãe, comecei a enxergá-la com outros olhos: mais carinhosos e mais amorosos. Reconheço o quanto ela sofreu. Não sei se teria conseguido suportar nem 5% do que ela passou. Mas essa é a história de vida dela, não a minha. Eu respeito a sua trajetória e agradeço por ela ter me gestado e cuidado de mim. Ao mesmo tempo, compreendo que posso honrar a minha mãe sem precisar carregar a vida, as dores e as escolhas dela.

Todas as noites, fiz as orações disponíveis no site da Cristina Cairo. Fui anotando cada uma em um caderno para não me esquecer, até completar os 90 dias.

Durante todo o processo e também depois dele continuei sendo acompanhada pela terapia TCC. Também já fiz Constelação Familiar e recomendo que, caso alguém tenha interesse, procure um bom profissional para realizar o processo individualmente.

Também fiz meu mapa astral, algo que Cristina Cairo recomenda junto com a oração. Hoje, sigo buscando viver o meu propósito espiritual:
Transformar experiências em sabedoria e usar minha voz para iluminar caminhos.”

Sinto mais leveza. Sinto mais coragem para dizer sim para mim. Tenho a sensação de que a minha vida começou a fluir mais. Ainda não sei explicar exatamente o que mudou, mas pretendo continuar observando e registrando esse processo ao longo dos próximos meses e anos.

Este site é o meu arquivo público. Um lugar onde registro minhas experiências, minhas reflexões, minhas transformações e o caminho que estou construindo, uma vida que escolho viver de forma cada vez mais consciente, livre e fiel a quem sou.

Enquanto redigia este texto, duas gatas, Luna e Mia, ficaram ao meu lado, observando-me e piscando os olhos, como se estivessem me acompanhando em minha expressão por palavras para o meu Arquivo Público. Cristina Cairo fala muito sobre o poder espiritual dos gatos. Ao terminar este texto, senti um calafrio, uma sensação de liberação e, ao final, um profundo suspiro.

Com amor!
Tatiane